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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os bebés do ano

Acho piada a todas as reportagens que se fazem no fim/princípio de um ano, tanto as que enunciam os desastres e as peripécias (tipicamente, mais os desastres, como é habitual), como aquelas que vão a hospitais dar tempo de antena a bebés perfeitamente normais pelo simples facto de serem o primeiro ou último do ano. No último caso até nos dão informação sobre a altura e o peso do bebé, porque afinal de contas, este bebé é o Messias do nosso país e temos que garantir que cresce saudável.

Também é engraçada toda a fanfarra que se faz em volta da passagem de ano, com todos os foguetes e espectáculos (e às vezes bebedeira, se bem que isso não seja exclusivo a esta ocasião). Ou aquela estranha tradição de comer 12 passas à noite na esperança de que algum desejo da pessoa que as ingere seja realizado. Espero que hoje em dia ninguém acredite nisso, mas convém lembrar que há gente (maioritariamente crianças) que acredita no Pai Natal, por isso não digo nada.

Com tudo isto, não quero dizer que não seja divertido fazer este tipo de festa, nem que a passagem de ano seja uma má altura para a fazer, mas simplesmente que não tem significado nenhum, ao contrário do que aparenta. Em boa verdade, a cada instante, começa um novo segundo, um novo minuto, uma nova hora, um novo dia, um novo mês e um novo ano, bem como outro qualquer período de tempo que possa vir à cabeça de alguém.

No fundo, celebrar o ano novo é como viajar numa auto-estrada e parar na berma para festejar de cada vez que se faz dez quilómetros. Prefiro guardar as comemorações para quando há, de facto, motivo para comemorar.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os mortos também têm direitos

De todos os objectos inanimados que existem, aqueles que são tratados com mais respeito e reverência são, sem dúvida, os cadáveres. Qualquer outro objecto, quando se estraga ou deixa de ser útil, é simplesmente atirado ao lixo sem cerimónias. Mas se se tratar de um cadáver, tem direito a ser acondicionado numa caixa, a um lugar reservado no subsolo, e a ter uma pedra com o seu nome a marcar esse lugar, completa com flores e todos os outros adereços que os visitantes se lembrem de lá deixar.

Mesmo nos casos em que os familiares são espertos e o cadáver é cremado, a situação não é famosa. Aparentemente, até as cinzas de um defunto têm que ser tratadas e armazenadas de forma condigna. Pergunto-me o que distinguirá as cinzas de um morto das cinzas resultantes da combustão da madeira, ou do papel, ou de outra matéria orgânica qualquer.

E ainda há os funerais. As pessoas, que já estão, sem dúvida, magoadas com a perda dos seus entes queridos, decidem, contra toda a racionalidade, esfregar sal nas feridas e organizar uma cerimónia com o único propósito de pôr toda a gente que for ainda mais triste (Não, os funerais não servem para honrar ninguém. Não se pode honrar uma pessoa que não existe). É das coisas mais contraproducentes que existem, desperdiçar a vida para chorar a morte.

Para quê tudo isto? Para quê todas estas mordomias concedidas aos mortos? É suposto fazer alguém feliz? Os mortos com certeza que não, visto que não têm sentimentos; e os vivos ainda menos, porque a única coisa que fazem é ficar mais tristes do que o que já estão. É tempo, espaço e dinheiro que podia e deveria ser gasto em benefício dos vivos, e não em prol de gente que já nem sequer existe.

Quantas lágrimas e sofrimento se poupariam se as pessoas fossem mais céleres a ultrapassar as suas perdas...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dos grevinistas

Isto já se está a tornar ridículo. Se esta greve perpétua fosse realmente beneficiar os maquinistas, até era admissível. Mas não está a dar em nada (aliás, está a prejudicá-los visto que estas coisas são-lhes justamente descontadas no salário), pelo que se conclui que os indivíduos ou são extremamente burros (muito pouco provável) ou estão a fazer birra só porque sim. E para além de birrentos, estão ser bastante egoístas. Têm noção dos milhares de pessoas que andam de comboio (nota: eu incluído) neste país? Têm noção que estão a atrapalhar as deslocações desta gente toda completamente em vão? Pensam que toda a gente tem/pode ter/quer ter um carro? Por muito mal que estejam, é imperativo que entendam que continuarem com esta birra não vai levar ninguém a lado nenhum, tanto em sentido literal como figurado.

Se estamos realmente num buraco, então parar de trabalhar de certeza não nos vai tirar de lá, antes pelo contrário, só nos enterra ainda mais (e depois queixam-se que o país anda mal!). É precisamente em alturas de dificuldade que toda a gente tem que redobrar os esforços para ajudar o país a recuperar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

É assim, fica assado

Depois de um mês em que estive para falar do assunto, mas fiquei sempre parado a reflectir ou a fazer outras coisas, venho finalmente pronunciar-me sobre a praxe. Uma vez disse que era uma seca, mas mesmo assim sendo dá que pensar.

A primeira coisa que tenho a dizer é que a maior parte do que se faz na praxe não faz sentido: o tratamento dos caloiros como "burros" e o seu consequente rebaixamento (no que incluo tudo desde berrar-lhes a mandá-los fazer flexões. A sério, quem teve essa ideia devia ser assado no espeto, e eu sou piamente contra a pena de morte), as brincadeiras parvas e músicas tão carregadas de asneiras que se passassem na TV seriam reduzidas a "piiiiiiiiiiiii", a necessidade quase constante de picar outros cursos, e a aparente filosofia da parte de alguns doutores de que os caloiros têm mas é que aguentar com tudo e mais alguma coisa, mesmo que fiquem, sei lá, estou aqui a tirar um exemplo sem conexão nenhuma à realidade, cheios de fome.

Convém, porém, dizer já que a praxe na FEUP (na FEUP, porque em certos sítios mais a sul a coisa está bem mais negra do que o que eu descrevi), não é tão má quanto parecerá pelo parágrafo anterior. Vi algumas actividades razoavelmente interessantes desenvolverem-se e participei em várias. Creio que o espírito da praxe aqui é promover o espírito de união entre os caloiros, se bem que de uma forma bastante perversa. Pelo que vejo à minha volta, está a cumprir o seu objectivo. Mesmo a mim deve ter ajudado alguma coisa, nem que seja de forma indirecta.

O principal problema que eu tenho com a praxe não é o espírito que lhe está subjacente. O problema está na forma como esse espírito tem vindo a ser expresso, e que, lamentavelmente, tem vindo a ser mantida por gerações de estudantes, aparentemente apenas por se tratar de uma tradição. Das duas uma, ou a praxe como a conhecemos preserva-se unicamente por ser tradição, o que é absurdo, ou ninguém ao longo dos anos conseguiu inventar uma maneira melhor de integrar os caloiros na vida académica do que humilhá-los e "torturá-los" psicologicamente, o que é perturbador.

Claro, sempre houve pessoas a criticar a praxe, hoje mais do que nunca, mas o seu impacto tem sido muito reduzido. A praxe parece ser muito mais resistente aos efeitos do tempo do que a maioria dos ritos de iniciação, que já caíram em desuso ou estão lá perto. Não consigo entender o motivo disso... Há assim tantos caloiros que gostam tanto da praxe que ficam com vontade de praxar outros? Já ouvi colegas meus a dizer que sim, que querem praxar quando chegarem ao 2º ano. Tenho que lhes perguntar o que lhes anda a passar pela cabeça um dia destes. Se alguém ler isto e me conseguir esclarecer, agradeço.

Posto isto, digo o seguinte: quem é anti-praxe nunca tendo nela participado é estúpido. É perfeitamente aceitável criticá-la, e há muitos motivos para o fazer, mas não se deve criticar sem ter uma opinião informada sobre o assunto. Informações de segunda ou terceira mão não chegam, e mesmo de primeira podem não ser muito fiáveis porque os gostos variam de pessoa para pessoa. A única forma de saber se realmente se gosta da praxe ou não é indo.

Essencialmente, o que eu penso é que a praxe precisa de mudar para algo bastante diferente. Uma vez, alguém disse que a praxe é feita de momentos*. Devia era ser assim desde o princípio e não depois de um mês de rídiculo. Se isso acontecesse e os estudantes se desapegassem da hierarquia podre da praxe, haveria muito menos gente a fazer-lhe oposição pelo simples motivo de que não haveria quase nada a criticar.

Quero frisar que esta é apenas a minha opinião. Há quem concorde com ela e quem discorde. Quem quer ir à praxe é livre de ir e quem quiser praxar é livre de praxar quem quiser ser praxado. Eu, pessoalmente, vou manter-me neutro. Não trajarei nem praxarei no próximo ano. Já não vou à praxe desde o baptismo, principalmente porque já me cansei dela (apesar de agora se ter tornado mais interessante). Pela parte que me toca, a praxe acabou.

A não ser claro, que eu resolva reaparecer temporariamente na Queima ;)

* Defino momentos como actividades que possuam um valor lúdico e/ou instrutivo e que não sejam um completo disparate nem tenham como objectivo rebaixar os caloiros.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Casa Pia nega o óbvio

A Casa Pia de Lisboa afirma categoricamente desconhecer a existência de qualquer rede organizada de pedofilia a operar dentro da instituição

SIC Notícias


Só podem estar a gozar com a minha cara.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

2 meses

Daqui a 2 meses estou a começar as aulas. Outra vez. Às vezes fico a pensar se isto será mesmo boa ideia. Espero que seja. Detesto voltar atrás nas minhas decisões.
Em qualquer dos casos, não estou a apreciar a espera. Penso que esta é a primeira vez que eu desejei saltar as férias de Verão (e possivelmente a última. Será que há férias de Verão na faculdade?). Estes dias bem que podiam passar um pouco mais depressa... até dia 13 de Setembro, pelo menos, que é quando saem os resultados das candidaturas. Mas não faz sentido estar a agitar-me por causa deles porque, a não ser que ocorra uma catástrofe catastrófica, eles serão exactamente aquilo que eu espero.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Oh meu Deus! O Cristiano Ronaldo teve um filho! Incrível!

Estou francamente desiludido, embora não devesse, com a atenção dada pela sociedade portuguesa ao nascimento do filho de Cristiano Ronaldo. Quando este último anunciou o incrível evento no Facebook, os media dissecaram avidamente o assunto, e as pessoas, claro, fizeram exactamente o mesmo. A parte mais ridícula da situação é que o nascimento de uma criança não é nada de extraordinário, nem mesmo quando o pai é uma celebridade. Se qualquer outra pessoa tiver um filho, o público não repara.

A minha desilusão só aumentou quando eu perguntei à minha mãe por que achava o assunto interessante. A resposta dela foi que não tinha mais nada para fazer. Ora, se eu não tenho nada para fazer, a solução a adoptar é entreter-me a bisbilhotar aspectos da vida privada alheia sem interesse nenhum? E que tal arranjar alguma coisa para fazer? Pelos vistos, é pedir demasiado, o que é uma tristeza. Mesmo em matéria de puro entretenimento é possível encontrar bem melhor que isto.

Apesar disto, a verdadeira culpa desta ridicularia não é do povo, mas sim dos media. São eles que fazem todo o trabalho de espionagem à vida das celebridades e que transformam as coisas mais banais em notícias extraordinárias. Se os "jornalistas" largassem este assunto de vez, poucos demonstrariam este interesse depravador nos detalhes da vida das celebridades. Infelizmente, nunca o farão, pelo simples motivo de que estas "notícias" são muito lucrativas, o que só demonstra a falta de ética desta gente. Queria ver se gostavam de ver a sua vida similarmente escrutinada e esmiuçada. Adoraria ver alguém dar-lhes uma dose do seu próprio veneno.

Resumidamente, uns são fúteis e outros exploram essa futilidade. Ambos são deprimentes.

(E para aqueles que usam o referido anúncio no Facebook como argumento para defender a imprensa, faço notar que a mensagem, tanto quanto me é dado saber, não dizia "Convido dúzias de bisbilhoteiros a analisar cada movimento da perninha do meu bebé" nem nada que se parecesse. Os paparazzi foram lá porque quiseram. Isso ou o Ronaldo convidou-os, o que é igualmente deprimente, embora por motivos diferentes. E mesmo que isso tivesse acontecido, qualquer profissional com um sentido de ética teria recusado fazer tal trabalho.)

quarta-feira, 7 de julho de 2010



Por favor, salvem-nos deste inferno. Nunca vi coisa assim.

Subsídio de estupidez

Em Portugal, tem-se observado, desde há algum tempo, uma estranha obsessão por parte de sucessivos governos em tentar "salvar" - da miséria, por meio de inúmeros subsídios, e da ignorância, através da trivialização do "sucesso escolar" (ex.: "Novas Oportunidades") -, pessoas que, como é evidenciado pelos resultados de tais campanhas, nunca hão-de deixar de ser as criaturas vazias, inúteis e degradadas que são actualmente. Estas pessoas caracterizam-se por uma espantosa falta de carácter moral, abusando prontamente da "boa vontade" do estado e de outros e agindo como crianças pedinchonas que não têm mais nada para fazer. Tipicamente, só querem dinheiro, e não, por exemplo, comida, da qual precisam para sobreviver. Eu não estou a tirar estas ideias do nada, vieram de algumas histórias que ouvi a respeito destes indivíduos e que, apesar de tristes, não me surpreendem. São os tipicamente apelidados de "mais desfavorecidos", designação que pode ser verdadeira se se assumir que se refere à inteligência dos sujeitos que descreve. Existem, certamente, muitas pessoas decentes que vivem na miséria, mas, infelizmente, não parece ser a essas que os esforços do governo actual e de anteriores se dirigem.

Como eu disse, os "mais desfavorecidos" nunca sairão da cepa torta por muitos subsídios e "oportunidades" que se lhes dêem. Tudo que essas medidas fazem é permitir-lhes sobreviver, mantendo-se, porém, na miséria e na estupidez, a segunda frequentemente causa da primeira. Ou seja, em vez de eliminarem a degradação, perpetuam-na. Os degradados ficam na mesma, e o resto da sociedade fica a perder, pois tem que lidar com os problemas causados por um grupo de pessoas que nada faz de útil e só consegue viver à custa dos outros, ao mesmo tempo que os atrapalha. Só resta, portanto, uma única explicação para esta aparente tentativa de salvar os insalváveis: o culto do politicamente correcto com o objectivo de obter votos e apoio popular. Os "apoios sociais" aos pobres costumam ser um trunfo muito brandido pelos partidos, especialmente durante as campanhas eleitorais, pelo que continuarão mesmo que só sirvam para desperdiçar dinheiro e tornar o estado ainda mais ineficiente, bem como atrasar o já de si lento progresso da sociedade portuguesa.

À luz da natureza dos indivíduos "apoiados", penso que a única forma de solucionar esta situação ridícula é cortar todos os apoios a esta gente. Deixem apodrecer nas ruas e morrer à fome aqueles que apenas contribuirão para a degradação mental deste país. Pode ser que, então, a selecção natural entre em funcionamento, a inteligência do português médio suba e o nosso nível de desenvolvimento se aproxime do de países mais evoluídos. Caso contrário, as pessoas inteligentes vão continuar a fugir daqui e este país cairá cada vez mais fundo na mediocridade, até que não haja possibilidade de o recuperar e colapse de vez.

domingo, 4 de julho de 2010

Agora que está sol, não consigo aproveitá-lo porque está demasiado calor. Raios.

domingo, 27 de junho de 2010

Promoção Alçada: chumbe um, passe dois

Esta é outra ideia que é completamente descabida. Como é que diabo um aluno que chumbou no 8º ano vai conseguir passar nos exames do 9º e estudar a matéria do 10º? Penso que é humanamente impossível, a não ser que esses exames sejam ridiculamente fáceis. E mesmo que fosse possível, a darem-se oportunidades destas, por que não dá-las a quem as poderia aproveitar, nomeadamente alunos com notas excelentes (como cincos a quase tudo), em vez de as dar a quem menos as merece? Chamam a isto "facilitista", mas eu não estou a ver esta ideia a facilitar o percurso escolar de nenhum aluno, a não ser que se trate de um craque que chumbe de propósito para saltar o 9º ano, coisa que me parece muito pouco plausível.

Isabel Alçada defende esta medida dizendo que é "transitória", o que é irrelevante para o assunto. Não interessa se é transitória, é ridícula. E, nesta lenta imitação de país, muitas coisas "transitórias" acabam por se tornar permanentes. E ainda mais ridículas do que o que já são.

sábado, 26 de junho de 2010

EB de Fitares: fazem-se casamentos

No dia 24, li uma notícia bizarra no jornal i: constava que, na noite do sábado anterior, uma empregada do refeitório da Escola Básica de Fitares tinha realizado a sua festa de casamento na escola. A festa, ao que parece, foi tão animada que até se dispararam tiros de madrugada. A parte mais hilariante, porém, é que a festa foi autorizada pela directora da escola, que está de consciência tão tranquila que mandou calar toda a gente dentro da instituição.

Não entendo como é que uma coisa destas acontece. Mas por que raio havia alguém de se lembrar de festejar um casamento numa escola? Só um cemitério seria um local menos apropriado para fazer tal coisa, ainda por cima a meio da noite, quando, supostamente, as escolas fecham todas.

Se alguma coisa demonstra a incompetência de certas pessoas neste país, é isto. A senhora directora, quando confrontada com o sucedido, desviou imediatamente a conversa e afirmou que "todos os dias há assaltos nas escolas" (referindo-se a um furto que ocorrera na mesma escola na sexta-feira anterior à noite), o que, tecnicamente, é mentira porque, segundo o Ministério da Educação, não há assaltos que cheguem para todos os dias do ano. Como diz este bloguista e bem, por que diabo é que nem se fecha aquela escola nem se demite a direcção? Típica incompetência portuguesa (peço desculpa pela repetição, mas isto não tem mesmo outro nome).

domingo, 20 de junho de 2010

Quem me explica por que é que as pessoas deixam a televisão ligada mesmo quando ninguém está a ver?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Divinos peluches

Apesar dos avanços tecnológicos e culturais das últimas décadas, grande parte da população mundial continua a agarrar-se a ideias retrógradas sem sentido. Estou a falar, nomeadamente, da religião. A religião surgiu na Pré-História com vários objectivos, uns bons e outros maus, por exemplo: explicar fenómenos naturais que as pessoas não compreendiam, unir grandes grupos de pessoas desligadas umas das outras, estabelecer princípios morais e justificar a autoridade dos líderes. (Penso que a primeira explicação é a mais provável, mas não me parece que exista um consenso sobre essa matéria.)

Porém, independentemente dos motivos que levaram ao seu aparecimento, a religião é um absurdo. Não existe nenhum fenómeno observável no Universo que possa ser plausivelmente atribuído a alguma divindade. As muitas e graves falhas do mundo em que vivemos contradizem a existência de um ser omnipotente e sumamente bom. As histórias que supostamente explicam o aparecimento de deuses contêm elementos que são indubitavelmente fictícios, o que descredibiliza o resto da história. A título de exemplo: Jesus Cristo pode muito bem ter existido há 2000 anos atrás, mas de certeza não ressuscitou ao terceiro dia, como diz a Bíblia. Nem mesmo hoje conseguimos fazer isso.

Se assim é, por que é que a religião subsiste? Penso que isso acontece porque as pessoas insistem em agarrar-se a alguma coisa e fingir que essa coisa as protege de todos os males concebíveis, por serem, aparentemente, incapazes de enfrentar a realidade tal como é. Nesse aspecto, a religião está para os adultos como os ursinhos de peluche estão para as crianças.

Por fim, há que ter em conta que os ideais religiosos, ao longo dos séculos, têm servido de desculpa para toda a espécie de guerras e massacres, enquanto que não estou a par de nenhuma ocorrência em que a crença em deus algum tenha melhorado significativamente a vida de seja quem for. Não ficaria a humanidade, então, melhor se a religião deixasse de existir?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

As prioridades da chamada comunicação social


Composição habitual de um telejornal

Há alguns dias atrás:
Tempo dedicado ao desastre petrolífero no Golfo do México: cerca de 1 minuto.
Tempo dedicado ao novo treinador do Porto: pelo menos 3 minutos (até passaram o discurso do homem e tudo).
E ainda me vêm dizer que devia ver o telejornal.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dêem-me um exame e eu deitarei abaixo o mundo

Apesar de as aulas terem acabado hoje, ainda há um último obstáculo a ultrapassar antes que nos possamos ver livres do secundário para todo o sempre. Esse obstáculo é a realização dos exames nacionais, que são cruciais para se poder ingressar numa universidade e, posteriormente, obter um emprego decente.

Em resultado disto, e como alguns sabem muito bem e outros, possivelmente, preferirão não recordar, a aproximação da época de exames provoca um súbito e tremendo nervosismo em (aparentemente) 99,9% dos alunos. As consequências deste nervosismo variam, mas, em muitos casos, afectam negativamente as notas obtidas pelos ditos alunos nos exames.

Este nervosismo é sintomático daquilo que está mais errado nos exames: a sua importância exagerada para a continuação da vida académica e profissional dos estudantes. Uma falha grave num exame, ao contrário do que aconteceria noutro momento qualquer do ano lectivo, pode ter consequências catastróficas a longo prazo. Quase não existe a possibilidade de corrigir tais erros - a 2ª e subsequentes fases não contam, visto que é muito mais difícil e moroso entrar na universidade nessas fases do que na 1ª. Existe, portanto, uma enorme pressão sobre os alunos que agora concluem o 12º ano para que obtenham notas elevadas nos exames, especialmente no caso muito comum daqueles cuja média do secundário mal chega para entrar no curso desejado. Isto, como é evidente, cria uma aura de medo à volta dos exames, a qual põe os alunos num estado de nervos.

Por que é que este tipo de avaliação pontual é tão falível? Porque, num dado momento, uma pessoa pode estar sujeita a uma variedade de circunstâncias, muitas das quais não controlam: amnésia, má disposição, e, sobretudo, o nervosismo. Todas estas situações podem alterar drasticamente (e para baixo) a nota do exame, sem terem, no entanto, qualquer relevância para a determinação das capacidades do aluno na matéria que é objecto de exame. Pior, o facto de a nota estar dependente deste tipo de factores contribui para aumentar o nervosismo dos examinandos... sendo o nervosismo um dos factores que acabei de mencionar! Ou seja, a natureza dos exames cria um círculo vicioso de medo, com resultados previsivelmente desastrosos, novamente sob a forma de classificações reduzidas nas provas.

Este círculo só poderá ser quebrado eliminando o problema que o criou em primeiro lugar, a fulcralidade dos exames. Por exemplo, se cada exame tivesse nem que fossem duas chamadas em vez de uma, penso que o problema que existe actualmente seria, no mínimo, significativamente mitigado (pois deixaria de existir a pressão de obter um bom resultado à primeira e única oportunidade). Uma análise um pouco mais profunda e criativa certamente conseguiria chegar a uma solução muito melhor e mais viável.

Os exames, nos moldes em que existem actualmente, são, portanto, uma ideia destinada ao fracasso desde o princípio.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O culto do atraso

Há uma coisa que me irrita imensamente na sociedade portuguesa: a falta de importância que as pessoas dão ao (aparentemente difícil) acto de chegar a horas a qualquer coisa. Apesar de ser comum, impressiona-me sempre ouvir alguém a dizer "Ah, ninguém morre por 10 minutos". Figurativamente, isto está errado, porque existem pessoas que não gostam nada nem de se atrasar, nem de estar à espera de gente atrasada, especialmente aquelas pessoas que não vivem em Portugal. Literalmente, também está errado, pois morrem milhares de pessoas em 10 minutos, algumas das quais precisamente por estarem esse período de tempo à espera.

Ignorando, por agora, este aspecto, há outros a considerar. Esta atitude perante a pontualidade tem consequências. Por toda a gente se atrasar, nada fica feito quando é preciso, e quando não se está à espera de uma coisa, está-se à espera de outra. Com tanto atraso, pergunto-me por que é que as pessoas se dão ao trabalho de estabelecer prazos e horários, visto que nunca os cumprem. Ou então, podiam fazer a média dos atrasos e adiantar todas as horas por esse tempo. Porém, é possível que, caso tal aconteça, os atrasos simplesmente dupliquem de tamanho, voltando nós assim à situação inicial (aliás, pior).

Este problema, infelizmente, parece não ter solução à vista. Só conheço um meio de fazer com que as pessoas parem de chegar atrasadas, que é deixar de esperar por elas. O problema é que isso é impraticável, porque, neste país, nada seria feito se tal solução fosse aplicada. Haveria desencontros a todas as horas.

Se a Torre de Babel fosse planeada hoje em Portugal, o projecto arrancaria daqui a uns 100 anos... com sorte.

Anos

Recentemente estive a pensar (como habitualmente) e reparei num aspecto muito curioso da maneira como as pessoas costumam organizar o tempo. Este aspecto consiste na divisão do tempo numa variedade de "anos", cada um com uma definição diferente e variável, tipicamente ligada a uma qualquer instituição. Há o ano civil (o único que dura mesmo um ano), o ano lectivo, o ano fiscal, o ano judicial, e provavelmente muitos mais. Ora, o interessante é que todos estes períodos de tempo não estão alinhados uns com os outros, nem (à excepção do primeiro), duram 365 dias.

Na minha opinião, isto é idiota e só serve para complicar. Se tudo estivesse alinhado com o ano civil, haveria uma correspondência directa entre este e todos os outros. Logo, quando alguém falasse num determinado ano, seria sempre claro do que é que está a falar. Tal não é o caso agora. Quando me dizem "o ano passado", referem-se a quê? A 2009? Ao ano lectivo de 2008/2009? A outra coisa qualquer?

Aliás, inicialmente, eu tinha escrito, por engano, "ano lectivo de 2009/2010", o que só demonstra ainda mais o potencial para confusão.

Que eu saiba, a língua serve para as pessoas se entenderem.

(Sim, este post talvez seja estúpido.)

terça-feira, 16 de março de 2010

Área de Papelada

Uma das disciplinas obrigatórias no 12º ano (que, infelizmente, frequento) é a Área de Projecto. A descrição habitualmente dada da disciplina, e que se poderá inferir do seu nome, é bastante favorável: fica-se um ano lectivo inteiro a trabalhar num projecto qualquer para apresentar no final. Porém, basta ir a meia dúzia de aulas para verificar que isso não é verdade. Só começámos a trabalhar na sexta aula (não, a planificação não conta como trabalho feito), e a professora ainda acha que isso foi rápido demais - supostamente, só deviamos começar a trabalhar no 2º período! Imagine-se!

Mas esse não é o maior problema, aliás, com o passar do tempo, descobre-se que é, de longe, o menor. Apesar do nome da disciplina, a avaliação praticamente não tem o projecto em conta. Aquilo que tem em conta é um conjunto de documentos escritos, os quais servem para, essencialmente, registar o progresso do trabalho e (mais frequentemente) fazer "reflexões críticas" quando não se tem nada para dizer. Notavelmente, o diário de bordo, o relatório, e o portefólio (elemento que serve para arquivar os documentos de cada membro do grupo), são todos individuais, apesar de dizerem respeito a um trabalho de grupo. E todos eles têm uma especial ênfase na dita "reflexão crítica", para a qual, infelizmente, não há opiniões de grande monta para utilizar. Isto obriga os alunos a emitir quantidades notáveis de "palha", ou, caso não o consigam fazer, a terem notas miseráveis. Eu quase tive uma nota mais baixa a Área de Projecto que a Educação Física. Poupem-me.

Diz-se, no princípio do ano lectivo, que a Área de Projecto serve para preparar os alunos para realizarem projectos a sério. Como é óbvio, isto é mentira; não consigo imaginar as pessoas no mundo real a perderem o seu tempo com a papelada com que nós temos de lidar. Acho que não ficaria mal aos responsáveis pela criação da Área de Projecto um pouco de honestidade; "Área de Papelada" seria um bom nome para a disciplina, que poderia até manter a sua sigla. Quanto ao seu objectivo, sugiro a explicação "fazer os alunos perder o seu tempo e, ocasionalmente, trabalhar".

Acho que ainda podia ter falado de mais algumas coisas, mas não me vou alongar, caso contrário, fico o resto do dia a escrever. Fica a dica para quem quiser comentar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Associações de Espantalhos

As associações de estudantes são uma coisa curiosa. Curiosa porque, por alturas de Outubro, fazem um espalhafato enorme com cartazes todos pimpados, os quais contêm uma enorme lista de promessas, maioritariamente relacionadas com actividades lúdicas e grandes apoios aos alunos (tipo arquivos de apontamentos) - visto que são o que mais "vende". Para além disso, contêm slogans estranhamente ambiciosos, do tipo "eh pá, vamos mudar tudo e fazer coisas altamente bacanas". Não obstante serem todas as listas bastante similares, uma delas acaba por ganhar.

Uma vez que isso aconteça, os cartazes ficam lá por mais umas semanas, depois desparecem, e nunca mais se ouve falar da AE. A não ser em dois momentos: na altura das viagens de finalistas e no final do ano - quando a AE organiza, regra geral, festas, jogos e mais festas. O resto das propostas, em particular aquelas que consistem em ajudar os alunos ou fazer coisas úteis, ficam esquecidas imediatamente após as eleições.

Dados estes factos, pergunto-me: por que raio se gasta tempo e dinheiro com campanha eleitoral e eleições para a AE se esta última não faz nada digno de nota?

Nota: aqui refiro-me às associações de estudantes do 7º-12º ano; quanto às suas equivalentes universitárias, não me pronuncio, pois não as conheço.