quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Baratas
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O que conta na escada da vida
terça-feira, 22 de julho de 2008
A tempestade que cega
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Perdido no meio da névoa branca
Estou perdido no meio da névoa branca
sem bússola para saber o caminho
nem mapa para me dizer onde fui parar.
Desde que veio a névoa fiquei aqui
não andei em nenhuma direcção
pois não sei o que há a minha volta
e não quero cair duma ribanceira abaixo.
(nunca se sabe se existem aqui)
Aqui não se vêem árvores,
nem pássaros,
nem o Sol,
nem a Lua,
nem os planetas,
nem as estrelas,
nem sequer o chão;
não se avista pessoas,
nem seja o que for que mexa.
Estou perdido neste sítio
e não há Deus que me salve
e não há destino em que possa confiar
e não há uma luz que fure o nevoeiro.
Estou perdido no meio da névoa branca
sem bússola para saber o caminho
mas na situação em que estou
duvido que sequer haja um caminho.
Resta-me esperar...
Estou perdido no meio da névoa branca
sem bússola para saber o caminho
à espera de alguém que me encontre
e me mostre o caminho.
(isto supondo que esse alguém existe...)
Suponhamos então...
Estou perdido no meio da névoa branca
sem bússola para saber o caminho
nem mapa para me dizer onde fui parar
mas ficava satisfeito se me trouxessem
uma manta para não apanhar frio
e um tapete voador para sair daqui.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
#254
um grupo de senhores
que há muitos, muitos anos
se reuniu num belo palácio
e, julgando-se os maiores bruxos do mundo,
proclamaram ter o poder de alterar a língua.
E então, muitos anos depois,
os pretensos bruxos resolveram levar a cabo
o seu louco plano.
Assim, o rei de Portugal
reuniu com a alta nobreza
e do desejo dos senhores se fez lei.
Desde essa altura,
o correcto passou a ser incorrecto;
a leccionação enfraqueceu;
a verdade tornou-se vestimenta;
entre ir e parar não há diferença.
A mini-saia perdeu a costura,
a auto-estrada perdeu os traços,
horário passou a ser lugar de reza.
E a bela língua que outrora reinara
foi transformada num sapo.
Agora, ela aguarda que chegue o príncipe encantado
que a beijará
e lhe permitirá
derrubar o tirano que ocupou o trono
e reinar como legítima rainha.
sábado, 22 de março de 2008
Poema à Morte
Feroz e impávido animal,
Besta-mor ao serviço do mal,
Demónio da má sina,
Tem vergonha, grande parva,
Tem vergonha nessa cara!
Faz dieta, sua alarve,
Pára de comer comida cara!
É que, sabes, já engordaste
Demais para o meu gosto
A comer o que não devias!
Quero que sejas demitida do teu posto,
Que se dissolva a instituição que fundaste,
Que pagues caro o que fizeste,
Que vás para a cova
E de lá nunca mais voltes!
Eu mando, ordeno, requeiro e demando
Que vás dar uma volta ao infinito,
Que nunca mais voltes a este mundo!
Se me desobedeceres,
Sentirás a minha ira destruir-te
A ti e ao teu maldito poder!
Acabou tudo, miúda tolinha!
(Como se alguma vez tivesse começado!)
Nem os rapazes gostarão de ti,
A não ser que cortes com o passado!
Por isso, ouve bem o que te digo...
Com a sétima te acuso,
Com a quintilha te escorraço,
Com a sextilha te ameaço;
Com uma quadra te insulto,
E com a outra te aconselho.
E com esta oitava eu te dou
Um conselho final:
Porta-te bem, rapariga!
domingo, 4 de novembro de 2007
Porque será que os políticos não servem para nada?
E as suas malditas leis!
Estou farto de que eles se armem em reis
E de que não dêem ouvidos aos críticos!
Quero fazer as minhas próprias regras
E fazer orelhas moucas aos deputados!
Ministros, mantenham-se afastados
Ou ainda vos faço umas grandes negras!
E, já agora,
Se estou aqui a dizer-me rebelde
Por que estou eu a respeitar as regras da rima?
E por que motivo está esta estrofe fora do sítio?
Toca a deitar abaixo o Governo!
Vamos lá acabar com as tiranias
E levar o país para a frente!
Já chega de promessas incumpridas!
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Uma rima sem nexo?
Do que eu próprio já escrevi
Parece-me que este poema é
Como os do meu velho estilo
Que rimam sempre com Nilo,
E que acabam sempre em camomila
Que vai sempre parar ao armazém da vila
E da qual depois se faz chá
Para se vender no café
Onde clientela sempre há.
Ah! Pois é!
As palavras andam a pé
Para irem ter com os seus namorados,
Os lindíssimos pontos
Que não se fazem rogados
E dançam tanto, tanto, tanto,
Que até ficam tontos!
E, como parece que já falei de temas a mais,
E já rimei palavras que chegue
Fazendo versos sem quase nenhum nexo
Que fazem um poema e esta estrofe em anexo.
Por fim, ordeno que ninguém negue
Que poesia nunca é demais.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Funeral de um bom horário
Que morreu hoje às dez para as cinco.
É uma pena ter morrido tão jovem:
Duas semanas foi o tempo que viveu.
Foi assassinado pelos seus próprios pais,
Deixando um rasto de sange no seu lugar
Que chega até às seis e meia da tarde.
Mas os pais não ficaram desolados:
Já deram à luz um novo horário.
E, assim, hoje choramos a morte do nosso querido horário
Que nos guiou pelas aulas e pelos intervalos,
Pelas manhãs e pelas tardes,
Que nos disse quando acordar e almoçar.
Não o enterraremos;Ficará num lugar de rei
No topo da minha secretária.
E, quanto ao novo horário,
É melhor não sofrermos por antecipação,
Embora haja uma grande probabilidade
De lhe acontecer o mesmo que ao irmão...